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Exposição ‘O Que Eu Vejo É O Beco’, na Fundação Cultural Badesc

A partir do poema “O Beco”, de Manuel Bandeira, a exposição “O Que Eu Vejo É O Beco” propõe um deslocamento do olhar: do horizonte amplo para o espaço estreito, cotidiano e muitas vezes invisível. Com curadoria de Kamilla Nunes, a mostra ocupa o jardim da Fundação Cultural Badesc.

Reunindo trabalhos de Bruna Granucci, Diane Spagnuelo, Gustavo Scheidt, Jessica Pellegrini, Mariana Colin, OTropicalista, Raquel Stolf, Sara Ramos e Tainá Sant’ana, a exposição vai apresentar obras que tensionam a ideia de paisagem e evidenciam suas camadas de disputa, memória e presença. As proposições dos artistas que incluem objetos, instalações, intervenções e experimentações sonoras e visuais, convidam o público a um olhar situado, atento às fricções entre corpo, cidade e território.

A curadora explica que o poema de Manuel Bandeira funciona como ponto de partida para questionar a paisagem idealizada, ampla e harmônica, frequentemente associada ao horizonte. Em contraposição, o beco surge como metáfora do espaço vivido: estreito, residual, marcado por limites e por aquilo que muitas vezes não se escolhe ver.

Ao ser instalada no jardim, a mostra cria um encontro entre dois espaços simbólicos: o beco e o jardim. O primeiro convoca a atenção para o que é marginalizado; o segundo introduz a temporalidade do cultivo, da permanência e da transformação lenta. Neste cruzamento, os trabalhos dos dez artistas vão construir percursos, interrupções e presenças que ampliam a percepção da paisagem como território vivo, político e compartilhado.

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