Guia Floripa

Descubra o motivo que leva Florianópolis a constar da lista de Cidades Criativas da Unesco

Morro da Cruz

Morro da Cruz, Florianópolis. Foto de Oscar Fava / Wikicommons / CC BY 3.0

O programa da Rede de Cidades Criativas da Unesco (UCCN), lançado em 2004, reúne atualmente localidades de todo o mundo que utilizam a criatividade como fator estratégico para o desenvolvimento sustentável. De acordo com o documento “Creativity and Cities”, as áreas urbanas abrigam hoje mais da metade da população mundial e representam três quartos da atividade econômica global. No Brasil, o número de cidades integradas à Rede chegou a 15, abrangendo categorias que vão da gastronomia ao design, com o objetivo de cumprir as metas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A inserção nestas redes internacionais não apenas valida o patrimônio cultural local, mas também impulsiona a economia do turismo. Para o viajante que percorre esses destinos, a eficiência logística é um componente da experiência; contudo, a expansão da malha aérea nacional pode gerar gargalos operacionais e eventuais atrasos de voos, exigindo que o passageiro esteja atento às normas de assistência das companhias.

O Brasil possui representantes em todas as sete categorias do programa: Artesanato e Arte Popular, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura, Artes Midiáticas e Música. Abaixo, detalham-se sete destes polos criativos e suas contribuições para o cenário nacional.

Gastronomia – Florianópolis (SC)

Ostras gratinadas

Ostras gratinadas figuram em todas as listas de recomendações sobre o que não deixar de provar em Floripa. Foto de Rodrigo Argenton / Wikicommons / CC BY-SA 3.0

Reconhecida como a “Capital Nacional da Ostra“, Florianópolis utiliza sua tradição culinária como motor de desenvolvimento econômico. Dados do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap) apontam que a cidade liderou a produção nacional em 2021, com 1.351 toneladas de ostras. A designação pela Unesco atua como um “incentivo extraordinário para a cidade promover o desenvolvimento sustentável por meio das indústrias culturais”, conforme descreve o plano de ação da capital catarinense.

O município implementou o Observatório da Gastronomia e o Laboratório de Inovação Cultural para coletar e analisar dados do setor, promovendo a integração entre a cadeia produtiva e o turismo. Entre as metas estabelecidas, destaca-se a criação de um guia anual de ofertas gastronômicas e a realização de workshops que conectam design e artesanato à apresentação de pratos típicos. A estratégia visa atrair investimentos e capital humano qualificado, reforçando o título de “Melhor Capital Brasileira para o Empreendedorismo”.

Outras cidades brasileiras na categoria Gastronomia: Belém (PA), Paraty (RJ) e Belo Horizonte (MG).

Design – Brasília (DF)

Brasília Design Week 2025

A Brasília Design Week 2025 promoveu imersão no universo criativo com exposições, oficinas e palestras. Foto de Luh Fiuza / Flickr / CC BY 4.0

Brasília detém o primeiro lugar no ranking nacional de cidades que atraem e retêm talentos criativos. O setor de economia criativa na capital federal responde por 3,7% do PIB local. O design é considerado parte do “DNA da cidade”, que hospeda dezenas de laboratórios de startups e incubadoras voltadas para moda, arquitetura e artes gráficas.

Outras cidades brasileiras na categoria Design: Curitiba (PR) e Fortaleza (CE).

Música – Salvador (BA)

Dia de festa no circuito batatinha no Centro Histórico de Salvador

Dia de festa no circuito batatinha no Centro Histórico de Salvador. Foto de Roberto Viana / Wikicommons / CC BY 2.0

Com 2,4 milhões de habitantes, Salvador baseia sua economia criativa no setor musical, que é o núcleo de seus planos de desenvolvimento socioeconômico. A cidade é o berço de gêneros como o tropicalismo, o axé, a bossa nova  (crédito dividido com o Rio de Janeiro, já que João Gilberto é baiano) e o samba (de novo dividido com o Rio, já que as raízes mais antigas da matriz rítmica apontam para o samba de roda do Recôncavo Baiano). O Carnaval da Bahia, maior desfile de rua do mundo, movimenta cerca de R$ 8 bilhões em transações financeiras e gera amplas oportunidades de emprego durante uma semana de evento.

Outra cidade brasileira na categoria Música: Recife (PE).

Cinema – Santos (SP)

23ª edição do Festival Curta Santos

A 23ª edição do Festival Curta Santos celebrou em novembro de 2025 o audiovisual da Baixada Santista e exibiu mais de 50 produções com entrada gratuita. Foto: Reprodução/Redes sociais

A cidade litorânea de Santos possui um legado cinematográfico que remonta ao início do século XX, abrigando o primeiro clube de cinema do Brasil. No período de cinco anos, a Santos Film Commission registrou a filmagem de 300 produções na cidade, gerando um valor adicionado de mais de R$ 11 milhões. Atualmente, Santos conta com 21 empresas de produção e coletivos ativos.

O Festival Curta Santos é um dos três festivais mais frequentados do país, oferecendo atividades gratuitas e workshops para jovens. O município foca na democratização do acesso à cultura através do projeto “Cinema Comunitário”, que realiza exibições semanais ao ar livre em bairros periféricos. A meta de Santos como cidade criativa inclui a integração do setor audiovisual com o parque tecnológico local.

Outra cidade brasileira na categoria Cinema: Penedo (AL).

Artesanato e Arte Popular – João Pessoa (PB)

Mercado de Artesanato Paraibano (MAP)

O Mercado de Artesanato Paraibano (MAP) é parada obrigatória para quem quer encontrar produtos típicos locais. Foto de Cacio Murilo / MTur Destinos/ Divulgação

João Pessoa é a única representante nacional na categoria Artesanato e Arte Popular e é o principal centro de comércio regional para a produção artesanal, envolvendo cerâmica, bordado e crochê. Aproximadamente 5 mil famílias de artesãos vivem na região e dependem dessa cadeia produtiva. A cidade é sede do Salão de Artesanato da Paraíba, evento que reúne mais de 8 mil participantes e promove a identidade cultural local através da “Rota dos Ateliês”.

Literatura – Rio de Janeiro (RJ)

Bienal do Livro Rio 2025

A Bienal do Livro Rio 2025 (22ª edição) foi a maior da história, registrando um recorde de 740 mil visitantes entre 13 e 22 de junho no Riocentro e 6,8 milhões de livros vendidos. Foto: Divulgação Alumipac

O setor livreiro contribui significativamente para a economia carioca, com região metropolitana do Rio de Janeiro respondendo por 14% das vendas nacionais de livros. Em 2022, a cidade registrou a venda de 7,95 milhões de unidades. O município abriga 146 livrarias e 125 editoras associadas ao Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

A estratégia do Rio de Janeiro, única cidade do país listada nessa categoria, foca na literatura como ferramenta para enfrentar desigualdades e promover a cidadania cultural, especialmente entre jovens em áreas socialmente vulnerabilizadas. O plano de ação inclui a modernização de bibliotecas e espaços de leitura, além do treinamento de agentes culturais. A cidade vê o setor como um catalisador para o desenvolvimento urbano sustentável.

Artes Midiáticas – Campina Grande (PB)

Monumento Os Pioneiros da Borborema, de Campina Grande

Monumento Os Pioneiros da Borborema, de Campina Grande. Foto de Cacio Murilo / MTur / PDM 1.0

Única cidade do país listada na categoria, Campina Grande destaca-se por possuir o maior número de doutores per capita do Brasil: um para cada 590 habitantes, número seis vezes superior à média nacional. Esta concentração de capital intelectual sustenta o desenvolvimento de artes midiáticas e tecnologia. A cidade abriga o Museu Digital do SESI, dedicado à história local através de ferramentas tecnológicas e interativas, e propôs uma política pública municipal específica para a economia criativa, planejando lançar um Festival Internacional de Artes Midiáticas. 

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